Amizade é uma adoção feita por irmãos.
É o que escolhemos sem escolher.
Coincidência ou incidência?
Não sei o que escrever.
Irmãos brigam, irmãos xingam.
O irmão de sangue, muitas vezes, é o amigo que adotamos.
O irmão que adotamos divide o sangue corrido na veia.
Dispensando a genética, tão pobre em assuntos da vida alheia.
Anseia consigo, ceia comigo.
É amigo pra toda situação.
Colega de trabalho, de escola ou de baralho.
Amigo é estranho, tem acanho e leva a vida sem ambição.
Sem ambição de ser mais amigo que outro.
O melhor conselho é o de amigo.
Ué, mas, amigo não aconselha! Amigo se espelha no que você não vê.
Aos mais antigos, menos respeito.
Aos vindos, até silêncio deixa sem jeito.
Amizade é adotar um filho de mesma idade que a sua.
Às vezes mais velho, mas não preparado pra realidade crua das coisas.
E também nua como o orgulho que há.
Orgulho nu é humildade.
Amigos são roteiristas de piadas internas.
Fazem piadas com o amor e com senhoras.
Sem hora pra acabar, fazem graça com as horas.
Hora lembra tempo, e tempo passa.
O tempo faz gracinha com os que amam.
E leva aqueles que não chamam mais...
O amigo se vai. Um sem outro é mais um outro sem um.
E tudo acaba na adoção que transformou alguém em
algum.
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