Num poema escrito há dias, falei sobre o ser humano e seu mundo. Hoje explano que esse tal mundo pode convergir como solo em meio a outros solos. É preciso organizar as coisas, né? Separados somos muitos, todos somos um só. Um milhão em um ao invés do contrário.
Nascemos terrenos virgens, terras puras, só cuidadas por pai e mãe ou por qualquer outra que tenha vindo substituir. Cada átomo de tempo que passa, menos o auxílio desses jardineiros tão fundamentais. Afinal, quem planta as sementes que serão gente um dia? Proporcionalmente, vamos aprendendo a nos cuidar sozinhos, plantar pensamentos, arborizar posturas, flexíveis ou não, e regar ideais ao próximo, assim como depositar seus lixos. Dependerá. Somos terrenos baldios ou jardins?
O amor é bonito. Assemelha-se com a flor e aqui caberá esse personagem à metáfora. Mas, o amor também é água, pois estimula vida por onde passa. Amor é água que gera a flor. Manifestação do amor. Nós, terrenos abandonados com o tempo, precisamos do amor pra fertilizar a terra do Eu mesmo, cultivar jardins, mas nem sempre isso acontece. Amor é água e água vem da fonte. Foz do ódio também. É muito normal que nos deparemos com o ódio daquelas coisas que amamos. Se você tem algum irmão mais velho, sabe do que estou falando...
Quando aprendemos com os lixos que nos deixaram, auto-exterminamos-os, limpando o que era sujo. Costumamos dizer que quem nos discursa flores com suas palavras aromáticas feito rosas é uma pessoa madura. Veja, só é madura quem foi imatura um dia. Imprópria pra uso. Agora entende porque não temos psicólogos com 6 anos? Isso também é contraditório, pois, as crianças também possuem discursos belos, mas isso é explicado facilmente. Elas são resultado de grande jardineiros que cultivaram seus terrenos-filhos, com águas de carinho. Os pais podem ser a foz de um carinho tão forte que emanaremos isso a vida inteira. E quem sabe eternamente...
Não ter amor é não ter água pra regar a terra do Eu mesmo, que empobrece. Regar o ódio é regar o amor ao avesso, portanto, mesmo efeito. Aos poucos o terreno morre por insuficiência e nos tornamos baldios, abandonados. E o que se costuma fazer no terreno baldio? Jogar lixo! Quantas vezes nos deparamos com pessoas péssimas na arte da jardinagem do mundo, nos imundando com seus lixos, tomando posse de nós? Ora, somos terrenos baldios. Nós que somos donos, abandonamo-nos na escassez de amor. Não somos de ninguém, por isso, somos de todo o mundo.
Quando somos banhados por amor, vindo de dentro e de fora, fertilizamos e produzimos flores e frutos que alimentam outros mundos, solos. Somos jardins exuberantes, que sob o sol, refletimos a margarida mais bonita do recanto. Transbordamos em orvalho que passa de jardim em jardim. Água de amor próprio, regador dos jardins que também querem ser bonitos, mas que não conseguem sem um jardineiro atencioso.
Quantos vezes essa água não vem disfarçada de um conselho, de uma frase ou de um espelho que nos mostra a nós mesmos o nosso jardim preto-e-branco e vazio? Espelho reflete. Onde reflete há reflexão. Quantas mazelas não existem por falta de um jardineiro-professor que nos faça refletir?
Não esqueçam: Colhemos o que plantamos!
Não esqueçam: Colhemos o que plantamos!
E vivemos assim, em meio ao jardineiros de seus mundos interiores, que nos tralharam de coisas inúteis, e artistas que plantaram as mudas mais belas no nosso jardim...
O que você plantou hoje?

Quando espio pra trás, não vejo minha plantação evoluir. É como se houvesse plantado em terreno infértil... Será? Isso me incomoda, mas não desespera.
ResponderExcluirInsisto na plantação. Quero florir bonito. Florir pequena conta de bondade no imensurável colar da vida.
Um beijo.