terça-feira, 26 de março de 2013

Matureza.

Pela manhã, em viagem com meu amigo Talysson, em direção ao Pé Leve, (um distrito da cidade Limoeiro de Anadia) pra ensaiar com uma banda (que dá título a esse Blog), conversamos sobre onde e como educar nossos - futuros - filhos. Não me considero uma pessoa com mente retrógrada, distante das contemporaneidades do mundo, mas confesso que em relação a instruir o alicerce cultural dos meus filhos, serei bastante tradicionalista. Sem grandes exageros, claro.

Tendo com ele, cheguei a dizer que desejaria muito que meu filho crescesse em meio ao cerne da civilização.  Um tanto quanto arredio. Mas sem se distanciar das multinacionais e pizzarias que encontramos, centralizadas, no nosso meio, em civilização. Em seus primeiros anos, minha prole conviverá num nuance entre o natural, primitivo e o contemporâneo. O mundo contemporâneo é líquido. Passagens precoces, pessoas-coisas e casas de carboidrato constituem o planeta azul.  O bicho homem e veio e pôs [des]ordem na casa. E estamos aqui. Eu, usando meu computador (símbolo marcante da terceira revolução técnico científica) com nossos pijaminhas e xícaras de café pra causar uma insônia que nos dará a oportunidade de estudar para a prova de lógica amanhã, na faculdade. Ou não.
                                                                             
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Sobre a natureza.

Vai parecer "coisinha de Facebook", mas organizei três pensamentos importantes. Sábios em si e que estaríamos a mercê do aprendizado, se convivêssemos mais com a terra primitiva.

A primeira é a mais clichê de todas. Você já deve ter ouvido alguém falar, ou você mesmo falou o famoso "Quem planta, colhe". Pois é, a sabedoria da terra adubada nos ensina que se plantamos feijão, colheremos feijão. Uma consequência óbvia de um ato objetivo, pragmático. Da mesma forma, quando fazemos mal ao nosso próximo, colheremos a maldade dele e/ou do mundo. Porque ninguém colhe o bem quando planta o mal. É regra. Independente dos relativismos perturbadores de mentes filosóficas, ninguém será feliz com o dinheiro de um furto, mesmo que desse furto, gerasse o regozijo alarmante do gatuno. Com o tempo, a sua vida seria abreviada por outros homens, viveria carcerado por algum tempo, fosse linchado por pessoas cheias de ódio gratuito e pseudo-humanistas. Talvez acontecesse tudo isso. Ou não.

A segunda é a maturidade. Aprendemos que uma manga, recém surgida, não serve pra uso alimentício, é preciso esperar o tempo dela. O tempo que ela vai amadurecer pra se tornar útil. E nós, convivendo com essa sabedoria, entenderemos que nem tudo é como e quando a gente quer. A manga amadurece e chega ao seu apogeu, que é o terceiro pensamento que ressalto. O equilíbrio.

A deliciosa manga quando se torna comestível, chega - mais ou menos -, na metade da sua vida aqui na terra. Antes disso, já sabemos, ela não nos serve. E depois de sua melhor fase, viverá a tristeza que é apodrecer e, novamente, não nos servir mais.  Ora, comemos a manga no seu equilíbrio existencial. Um resquício da sua infância junto com o aperitivo da sua fase de apodrecimento. A utilidade que se revela no equilíbrio. Os extremos não nos servem. Aprecio e me agrado com tais leis. Aprendo o que a escola não conta. E colhendo os encantos do mundo azul, eu planto meus encantos também. E quem sabe até, encantar alguém, né?


*Para ler os outros escritos, vá em "outrem", aqui embaixo.


2 comentários:

  1. É o que eu falei e reafirmo com a ajuda da minha falível gambiarra internética: quando eu crescer, quero filosofar lindeza assim feito tu, menino.

    É assim mesmo a vida e a complexa existência da manga. Se não tiramos dela o melhor proveito, foi-se sem ter servido pra nada.

    Suguemos, portanto, o máximo possível do que tem a vida a nos oferecer e assim seguiremos plantando e colhendo encantos.

    Bravo!
    Beijo!

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  2. Muito obrigado pelo carinho, Milene. Aprendo ainda mais com esse carinho Esteja em paz. Forte abraço :)

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