Pela manhã, em viagem com meu amigo Talysson, em direção ao Pé Leve, (um distrito da cidade Limoeiro de Anadia) pra ensaiar com uma banda (que dá título a esse Blog), conversamos sobre onde e como educar nossos - futuros - filhos. Não me considero uma pessoa com mente retrógrada, distante das contemporaneidades do mundo, mas confesso que em relação a instruir o alicerce cultural dos meus filhos, serei bastante tradicionalista. Sem grandes exageros, claro.
Tendo com ele, cheguei a dizer que desejaria muito que meu filho crescesse em meio ao cerne da civilização. Um tanto quanto arredio. Mas sem se distanciar das multinacionais e pizzarias que encontramos, centralizadas, no nosso meio, em civilização. Em seus primeiros anos, minha prole conviverá num nuance entre o natural, primitivo e o contemporâneo. O mundo contemporâneo é líquido. Passagens precoces, pessoas-coisas e casas de carboidrato constituem o planeta azul. O bicho homem e veio e pôs [des]ordem na casa. E estamos aqui. Eu, usando meu computador (símbolo marcante da terceira revolução técnico científica) com nossos pijaminhas e xícaras de café pra causar uma insônia que nos dará a oportunidade de estudar para a prova de lógica amanhã, na faculdade. Ou não.
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Sobre a natureza.
Vai parecer "coisinha de Facebook", mas organizei três pensamentos importantes. Sábios em si e que estaríamos a mercê do aprendizado, se convivêssemos mais com a terra primitiva.
A primeira é a mais clichê de todas. Você já deve ter ouvido alguém falar, ou você mesmo falou o famoso "Quem planta, colhe". Pois é, a sabedoria da terra adubada nos ensina que se plantamos feijão, colheremos feijão. Uma consequência óbvia de um ato objetivo, pragmático. Da mesma forma, quando fazemos mal ao nosso próximo, colheremos a maldade dele e/ou do mundo. Porque ninguém colhe o bem quando planta o mal. É regra. Independente dos relativismos perturbadores de mentes filosóficas, ninguém será feliz com o dinheiro de um furto, mesmo que desse furto, gerasse o regozijo alarmante do gatuno. Com o tempo, a sua vida seria abreviada por outros homens, viveria carcerado por algum tempo, fosse linchado por pessoas cheias de ódio gratuito e pseudo-humanistas. Talvez acontecesse tudo isso. Ou não.
A segunda é a maturidade. Aprendemos que uma manga, recém surgida, não serve pra uso alimentício, é preciso esperar o tempo dela. O tempo que ela vai amadurecer pra se tornar útil. E nós, convivendo com essa sabedoria, entenderemos que nem tudo é como e quando a gente quer. A manga amadurece e chega ao seu apogeu, que é o terceiro pensamento que ressalto. O equilíbrio.
A deliciosa manga quando se torna comestível, chega - mais ou menos -, na metade da sua vida aqui na terra. Antes disso, já sabemos, ela não nos serve. E depois de sua melhor fase, viverá a tristeza que é apodrecer e, novamente, não nos servir mais. Ora, comemos a manga no seu equilíbrio existencial. Um resquício da sua infância junto com o aperitivo da sua fase de apodrecimento. A utilidade que se revela no equilíbrio. Os extremos não nos servem. Aprecio e me agrado com tais leis. Aprendo o que a escola não conta. E colhendo os encantos do mundo azul, eu planto meus encantos também. E quem sabe até, encantar alguém, né?
*Para ler os outros escritos, vá em "outrem", aqui embaixo.
É o que eu falei e reafirmo com a ajuda da minha falível gambiarra internética: quando eu crescer, quero filosofar lindeza assim feito tu, menino.
ResponderExcluirÉ assim mesmo a vida e a complexa existência da manga. Se não tiramos dela o melhor proveito, foi-se sem ter servido pra nada.
Suguemos, portanto, o máximo possível do que tem a vida a nos oferecer e assim seguiremos plantando e colhendo encantos.
Bravo!
Beijo!
Muito obrigado pelo carinho, Milene. Aprendo ainda mais com esse carinho Esteja em paz. Forte abraço :)
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